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Amor implorado

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Não é mal. Não é bem. É nada. É esperar. É rotina. É cansaço. É caminhar sem certeza de sucesso. Se é assim que tem de ser? Sim, é. Para um dia alcançar a meta, há que haver paciência. E esperança. Mas até lá, as recaídas são mais do que as esperadas.
 O vento forte junta-se à chuva imparável. As nuvens apressadas escondem o sol caloroso. Dois apaixonados. Um beijo ansioso. Um abraço fogoso. Dois corpos frenéticos. Embalados pelas estrelas. Empatados por diferentes cursos de vida.
 Juntos, sintonia radiante. O mesmo querer. O mesmo sentir. Separados, emoções desorientadas. O mesmo querer. O mesmo sentir. Porém, mais intenso. Mais obsessivo. Mais urgente. Mais implorativo.
"I think the phrase "I crave you" is one of the deepest forms of love. To desire someone to the point where you want to devour them and make them a part of you. Almost like craving for food or water. It's your hunger, your thirst. You crave everything about them. Every part of them. Every little th…

Rir para não chorar

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Passaram-se três dias e ainda bem que apareceste hoje. Sei que só apareces quando eu quero, mas é bom pensar que adivinhas. E que bem que me sabe este café quente.
 Lembraste daquela noite que me doía a garganta e perguntaste se eu queria leite com mel? Não sei porquê, sempre fizeste coisas por mim, mas naquela noite fiquei super admirada e por isso perguntei se não te importavas de ir fazer. E tu respondeste, talvez também admirado com a minha pergunta, "Claro que faço, achas que não fazia?". Ficaste a olhar para mim enquanto o bebia, satisfeita. Depois tapaste-me, como todas as outras noites. Recordar este momento sabe-me tão bem. Também gostavas de voltar atrás?
 O Natal está a chegar. Esse monstrinho natalício está quase a chegar e tu só apareces aqui. Devias aparecer à meia noite vestido de Pai Natal. Como naquele ano em que desceste as escadas com a minha bicicleta nas mãos. Ou quando fizeste uma criança chorar por causa da barba. Se não quiseres vestir o fato, também…

A loucura do amor

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Estás à minha espera. Com outro café. Que surpresa agradável. É pena a roda não parar. Importas-te se misturar tudo?
 É um querer inexplicável. Acompanhado de uma insegurança desconfortável. Quanto mais sinto, menos digo. Vejo a verdade, imagino a mentira. Certo masoquismo. Habituada à dor, espantada com tamanha bondade. É tanto querer, tanta vontade de mais. Não basta o tudo que me é entregue. Preciso receber mais que tudo. Não há palavras para isso, nem te consigo explicar com clareza o que é querer com tanto querer. Chega a ser sufocante. Para ambos. Um dá tudo, o outro quer mais. Um quer uma pausa, o outro quer dar mais.   No meio de tanto querer, também há tentativas de explicações. É aqui que o passado entra e aí já nada é certo ou errado. Uma lágrima cai e percebemos que estamos no limite. Limite de entrega, limite de exigência. A chama apaga-se e a loucura instala-se. Primeiro a loucura destruidora, segundo a loucura silenciosa e terceiro a loucura mentirosa. Gosto do que sin…

O último momento

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Quero contar-te tudo. E vou contar-te agora, porque depois... Depois o café arrefece, outro assunto surge, o encanto perde-se, fica tarde e tanta coisa muda... Se me queres ouvir tem de ser agora, porque depois o sentimento é outro. A roda não para, garanto-te. Senta-te e prepara-te.
 Os meus olhos abriram-se e o meu estômago apertou-se. Obriguei-me a levantar da cama. Pensei em comer, mas só o simples pensamento de pôr alguma coisa comestível na boca dava-me vómitos. Olhei-me ao espelho e pensei "estás pronta para dar as mãos ao sofrimento e para ignorar tudo e todos" e assim saí de casa.   Vou saltar a parte em que o toquei, me obrigaram a comer, cumprimentei pessoas e não me lembro de nenhuma, abracei umas quantas, dei a mão a outras tantas... Vou diretamente para o último momento. Aquele em que tudo parou. Acreditas que tudo parou mesmo? Não sei se só para mim, mas também pouco me interessa. Não sei quanto tempo esperaram. Não sei quem comovi. Não ouvi ninguém. Fechei o…

Trabalhar a brincar

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O mundo do trabalho não é diferente daquilo a que estava acostumada. Também há cansaço, impaciência, superioridade, falsidade, conversas mesquinhas... Todos querem pisar mas ninguém quer ser pisado. E pensava eu que os adultos, por serem adultos, não eram assim. Chega até a ser deprimente lidar com certas situações, ver e ouvir certas coisas.
 Apesar da parte menos boa, gosto desta descoberta. Faz-me crescer. Prepara-me para os dias futuros. Não é brincadeira, mas é como se fosse uma pausa. A pausa que eu precisava. Um ano. Este ano.


Tua S, ♥

Contar sem contar

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Já escrevi e apaguei. Voltei a escrever, não me soou bem e voltei a apagar. A questão é a seguinte: acabei de ver um filme. Daqueles super, super, super emocionantes. Daqueles que eu gosto. "Gosto do que me  emociona", disse uma vez a um amigo. E por isso preciso de escrever.
 Tenho em mente vários assuntos. Mas há um em particular. Sempre que quero escrever e não sei como começar, refugio-me em ti e as palavras saem-me. Como agora. Quero falar sobre tanta coisa. E sei que devia. Guardar não faz bem a ninguém. Guardaste tanta coisa e foi isso que te destruiu. Para quê chatear os outros se podemos guardar para nós?! Nunca o disseste, mas tenho a certeza que era isso que pensavas. Falavas sem falar. Sei-o porque sou como tu. Conto sem contar. Que feitio tramado que me deste, han?
 Gostava tanto de ter percebido isso mais cedo. Gostava de te ter dado a mão para me mostrares tudo o que te atormentava. Adorava acordar, olhar para ti e com um simples sorriso perceber que estávamo…

Sobrenaturalmente impossível

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Ficção é ficção. Não é real. Por mais desejos e sonhos, não há maneira alguma possível que torne a ficção realidade. É claro que estou a falar de coisas impossíveis, inimagináveis, sobrenaturais.   Ressuscitar. Quem não gostaria de voltar a abraçar um ente querido que morreu? Infelizmente, é nestas situações que tomamos consciência do quão fraco o ser humano é. Todos nascemos. E todos morremos. Não temos o poder de mudar a ordem natural da vida. Por mais que queiramos. Por mais que sonhemos. Por mais força que façamos para que aconteça alguma coisa, não vai acontecer apenas com um apertar de mãos e um fechar de olhos.   Vejo séries que envolvem bruxas, vampiros, lobisomens, mortos e ressuscitados. Se gostava de viver isso? Adorava! Saber que podia procurar uma maneira de trazer alguém de volta. Saber que no dia a seguir iria abraçar quem um dia partiu. Saber que não há limites. Saber que tinha o poder de fazer o que quisesse. Pois é, não vivo numa série. Vivo no planeta Terra onde o …