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Dança comigo

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Chega um momento em que é preciso parar. Um segundo, dez minutos, duas horas, uma noite. É preciso avaliar, tomar decisões, definir metas. É necessário parar e perguntar "É isto que queres? Mesmo tendo os mínimos, é só isto que consegues fazer? É só isto que consegues ser?".
 Chega um momento em que é preciso pôr tudo para trás e seguir em frente. Há que fazer dos mínimos os máximos. Há que dar valor. Esquecer tudo e dar valor. Valorizar é a palavra chave.
 Chega um momento em que somos só nós. É esse momento que tem de permanecer. Tem de ser gravado, fotografado e transmitido na memória. É essa felicidade que tem de ser lembrada. Lembrar a felicidade ou lembrar-te, parece-me quase o mesmo.
 Chega um momento em que o raciocínio fugiu. E a minha luta é mantê-lo sempre presente. A minha luta é parar o tempo necessário, valorizar e lembrar-te. A minha luta é olhar para a memória e deliciar-me com a nossa dança.
 Dancemos. Façamos desta dança a nossa eterna felicidade. Dança co…

Sei lá

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Gosto de ter um plano. Uma meta. Um propósito para me levantar todos os dias. E tenho. A questão é: está a demorar tanto tempo. E estou farta de esperar. Estou a ficar cansada desta corrida. Eu disse que precisava de um ano, mas um ano é muito grande para uma rotina tão simples. É muito grande para ficar aqui à espera sem poder fazer nada. Muito grande para pensar e sentir.  Sei que consigo chegar ao fim desta meta. Mas e se, quando lá chegar, perceber que não valeu de nada? Perceber que afinal este ano não me preparou e estou igual ao que era um ano atrás? Perceber que não precisava de me preparar porque o meu objetivo requer muito mais do que um ano de preparação? Enfim, questões que não consigo responder agora. E é disso que tenho medo. Tenho medo do futuro. E não quero que ninguém me diga para não pensar nisso, que tudo se resolve, para viver um dia de cada vez. Porque o futuro que eu preparei não pode ser deixado à corrente da maré. Tem de ser pensado, planeado e prevenido, todo…

Existência inexplicável

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- Sabes porque há o dia das mentiras? Há muito tempo, um rei anunciou uma mudança no calendário. O ano novo era festejado no dia 1 de abril e depois passou para 1 de janeiro. Houve quem não concordasse com essa mudança e então continuaram a enviar convites para festas e presentes em abril, ficando assim o dia das mentiras.
 ...
 - Na vossa religião, quando é que Deus nasceu?
 - No dia 25 de dezembro.
 - E porque é que os reis magos fizeram aquela viagem para o visitar?
 - Para lhe levar presentes.
 - Pois, mas noutra religião, Deus nasceu em outubro e diz-se que os reis magos foram lá para o matar.
 - Ninguém sabe o que aconteceu ao certo naquela altura.
 - As escrituras da Bíblia foram redigidas 300 anos depois da morte de Cristo, como é que é possível saberem tudo o que aconteceu? Simplesmente não é possível.
 - Concordo contigo.
 - Cada religião tem uma crença. E cada um de nós é dirigido para uma religião. Eu posso acreditar em determinada coisa e tu podes não acreditar. Tudo dep…

Transcendência

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Para tudo há um limite. Quando chegamos perto de um limite, quando o vimos diante de nós, sabemos que estamos perto do perigo. É como o fogo, quanto mais próximo mais quente, mais probabilidades há de queimar. Nesse momento, e apenas nesse momento, quando encaramos o limite, temos uma coisa nas mãos: a decisão de avançar ou recuar. Mas há alguém que consiga tomar uma decisão acertada num momento de pressão? Não, não acho que haja. Se houver, olha, que bom para essas pessoas, sinto inveja por terem essa capacidade. A capacidade de decidir, perante o limite, e sobretudo, o perigo, se querem avançar ou recuar.
 Nada disto significa que ultrapassar limites seja algo propriamente mau. Como se o perigo fosse um monstro das cavernas. Pela definição, limite é o momento que corresponde ao fim ou começo de algo. A partir disto temos dois tópicos que nos podem ajudar a classificar limite como bom ou mau: ou esse limite acaba com algo mau e cria algo bom ou acaba com algo bom e cria algo mau. Is…

Preto no branco

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O nevoeiro é intenso. Tenho um vislumbre de ti, bem ao fundo. Não és palpável, mas sei que és tu pelo teu modo sereno. Avanço na tua direção. Preciso que me expliques uma coisa, aproxima-te. Precisas ouvir com atenção. Precisas ficar ao meu lado. Precisas compreender-me. E precisas explicar-me corretamente.
 Ora muito bem, estás preparado? Aqui vai. O ser humano, ou melhor, eu - vamos falar de mim - acordo todos os dias e tenho uma rotina. Essa rotina é composta por trabalhos e intervalos. Durante os trabalhos, há foco, concentração e dedicação. Durante os intervalos, há descanso, distração e divertimento. Todos os intervalos deviam ser assim compostos por sentimentos agradáveis, certo? Mas a imaginação vem e atrofia tudo. Para te explicar melhor como funciona, posso dar-te o exemplo deste nevoeiro. Tenho pequenas visões da realidade, o resto imagino - o nevoeiro permite-me ver algumas formas, tu és imaginado. A imaginação faz-me exagerar atitudes e ver situações irrealizáveis e impo…

Amor implorado

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Não é mal. Não é bem. É nada. É esperar. É rotina. É cansaço. É caminhar sem certeza de sucesso. Se é assim que tem de ser? Sim, é. Para um dia alcançar a meta, há que haver paciência. E esperança. Mas até lá, as recaídas são mais do que as esperadas.
 O vento forte junta-se à chuva imparável. As nuvens apressadas escondem o sol caloroso. Dois apaixonados. Um beijo ansioso. Um abraço fogoso. Dois corpos frenéticos. Embalados pelas estrelas. Empatados por diferentes cursos de vida.
 Juntos, sintonia radiante. O mesmo querer. O mesmo sentir. Separados, emoções desorientadas. O mesmo querer. O mesmo sentir. Porém, mais intenso. Mais obsessivo. Mais urgente. Mais implorativo.
"I think the phrase "I crave you" is one of the deepest forms of love. To desire someone to the point where you want to devour them and make them a part of you. Almost like craving for food or water. It's your hunger, your thirst. You crave everything about them. Every part of them. Every little th…

Rir para não chorar

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Passaram-se três dias e ainda bem que apareceste hoje. Sei que só apareces quando eu quero, mas é bom pensar que adivinhas. E que bem que me sabe este café quente.
 Lembraste daquela noite que me doía a garganta e perguntaste se eu queria leite com mel? Não sei porquê, sempre fizeste coisas por mim, mas naquela noite fiquei super admirada e por isso perguntei se não te importavas de ir fazer. E tu respondeste, talvez também admirado com a minha pergunta, "Claro que faço, achas que não fazia?". Ficaste a olhar para mim enquanto o bebia, satisfeita. Depois tapaste-me, como todas as outras noites. Recordar este momento sabe-me tão bem. Também gostavas de voltar atrás?
 O Natal está a chegar. Esse monstrinho natalício está quase a chegar e tu só apareces aqui. Devias aparecer à meia noite vestido de Pai Natal. Como naquele ano em que desceste as escadas com a minha bicicleta nas mãos. Ou quando fizeste uma criança chorar por causa da barba. Se não quiseres vestir o fato, também…