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Só parece até ser

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A notícia chega e parece o fim do mundo. Achas que não vais ser capaz de continuar a viver, de tomar decisões, de partir em aventuras. Mas não é isso que acontece. A dor é insuportável e assombra-te nos momentos mais inoportunos, mas há esperança. Esperança de que tudo volte a ficar bem. Esperança de que um dia, depois de muita luta, os nossos sonhos se tornem realidade. É a essa esperança que nos agarramos.
 O grande problema disto tudo é quando percebemos que já não há esperança. Ela estava ali num dia e no dia seguinte não estava. Nós continuamos a viver como se ela continuasse connosco, mas é apenas imaginação. É esse clique que nos faz desmoronar, não a causa da situação.
 Não é a morte do meu pai que me destrói todos os dias. O que me destrói é estar no ano que planeei e odiar. O que me destrói é a vida que tenho. O que me destrói é querer mudar e não conseguir. O que me destrói é não conseguir pensar. Quero sair, mas sempre que penso numa maneira de pensar positivo, sou arras…

Dança comigo

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Chega um momento em que é preciso parar. Um segundo, dez minutos, duas horas, uma noite. É preciso avaliar, tomar decisões, definir metas. É necessário parar e perguntar "É isto que queres? Mesmo tendo os mínimos, é só isto que consegues fazer? É só isto que consegues ser?".
 Chega um momento em que é preciso pôr tudo para trás e seguir em frente. Há que fazer dos mínimos os máximos. Há que dar valor. Esquecer tudo e dar valor. Valorizar é a palavra chave.
 Chega um momento em que somos só nós. É esse momento que tem de permanecer. Tem de ser gravado, fotografado e transmitido na memória. É essa felicidade que tem de ser lembrada. Lembrar a felicidade ou lembrar-te, parece-me quase o mesmo.
 Chega um momento em que o raciocínio fugiu. E a minha luta é mantê-lo sempre presente. A minha luta é parar o tempo necessário, valorizar e lembrar-te. A minha luta é olhar para a memória e deliciar-me com a nossa dança.
 Dancemos. Façamos desta dança a nossa eterna felicidade. Dança co…

Sei lá

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Gosto de ter um plano. Uma meta. Um propósito para me levantar todos os dias. E tenho. A questão é: está a demorar tanto tempo. E estou farta de esperar. Estou a ficar cansada desta corrida. Eu disse que precisava de um ano, mas um ano é muito grande para uma rotina tão simples. É muito grande para ficar aqui à espera sem poder fazer nada. Muito grande para pensar e sentir.  Sei que consigo chegar ao fim desta meta. Mas e se, quando lá chegar, perceber que não valeu de nada? Perceber que afinal este ano não me preparou e estou igual ao que era um ano atrás? Perceber que não precisava de me preparar porque o meu objetivo requer muito mais do que um ano de preparação? Enfim, questões que não consigo responder agora. E é disso que tenho medo. Tenho medo do futuro. E não quero que ninguém me diga para não pensar nisso, que tudo se resolve, para viver um dia de cada vez. Porque o futuro que eu preparei não pode ser deixado à corrente da maré. Tem de ser pensado, planeado e prevenido, todo…

Existência inexplicável

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- Sabes porque há o dia das mentiras? Há muito tempo, um rei anunciou uma mudança no calendário. O ano novo era festejado no dia 1 de abril e depois passou para 1 de janeiro. Houve quem não concordasse com essa mudança e então continuaram a enviar convites para festas e presentes em abril, ficando assim o dia das mentiras.
 ...
 - Na vossa religião, quando é que Deus nasceu?
 - No dia 25 de dezembro.
 - E porque é que os reis magos fizeram aquela viagem para o visitar?
 - Para lhe levar presentes.
 - Pois, mas noutra religião, Deus nasceu em outubro e diz-se que os reis magos foram lá para o matar.
 - Ninguém sabe o que aconteceu ao certo naquela altura.
 - As escrituras da Bíblia foram redigidas 300 anos depois da morte de Cristo, como é que é possível saberem tudo o que aconteceu? Simplesmente não é possível.
 - Concordo contigo.
 - Cada religião tem uma crença. E cada um de nós é dirigido para uma religião. Eu posso acreditar em determinada coisa e tu podes não acreditar. Tudo dep…

Transcendência

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Para tudo há um limite. Quando chegamos perto de um limite, quando o vimos diante de nós, sabemos que estamos perto do perigo. É como o fogo, quanto mais próximo mais quente, mais probabilidades há de queimar. Nesse momento, e apenas nesse momento, quando encaramos o limite, temos uma coisa nas mãos: a decisão de avançar ou recuar. Mas há alguém que consiga tomar uma decisão acertada num momento de pressão? Não, não acho que haja. Se houver, olha, que bom para essas pessoas, sinto inveja por terem essa capacidade. A capacidade de decidir, perante o limite, e sobretudo, o perigo, se querem avançar ou recuar.
 Nada disto significa que ultrapassar limites seja algo propriamente mau. Como se o perigo fosse um monstro das cavernas. Pela definição, limite é o momento que corresponde ao fim ou começo de algo. A partir disto temos dois tópicos que nos podem ajudar a classificar limite como bom ou mau: ou esse limite acaba com algo mau e cria algo bom ou acaba com algo bom e cria algo mau. Is…

Preto no branco

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O nevoeiro é intenso. Tenho um vislumbre de ti, bem ao fundo. Não és palpável, mas sei que és tu pelo teu modo sereno. Avanço na tua direção. Preciso que me expliques uma coisa, aproxima-te. Precisas ouvir com atenção. Precisas ficar ao meu lado. Precisas compreender-me. E precisas explicar-me corretamente.
 Ora muito bem, estás preparado? Aqui vai. O ser humano, ou melhor, eu - vamos falar de mim - acordo todos os dias e tenho uma rotina. Essa rotina é composta por trabalhos e intervalos. Durante os trabalhos, há foco, concentração e dedicação. Durante os intervalos, há descanso, distração e divertimento. Todos os intervalos deviam ser assim compostos por sentimentos agradáveis, certo? Mas a imaginação vem e atrofia tudo. Para te explicar melhor como funciona, posso dar-te o exemplo deste nevoeiro. Tenho pequenas visões da realidade, o resto imagino - o nevoeiro permite-me ver algumas formas, tu és imaginado. A imaginação faz-me exagerar atitudes e ver situações irrealizáveis e impo…

Amor implorado

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Não é mal. Não é bem. É nada. É esperar. É rotina. É cansaço. É caminhar sem certeza de sucesso. Se é assim que tem de ser? Sim, é. Para um dia alcançar a meta, há que haver paciência. E esperança. Mas até lá, as recaídas são mais do que as esperadas.
 O vento forte junta-se à chuva imparável. As nuvens apressadas escondem o sol caloroso. Dois apaixonados. Um beijo ansioso. Um abraço fogoso. Dois corpos frenéticos. Embalados pelas estrelas. Empatados por diferentes cursos de vida.
 Juntos, sintonia radiante. O mesmo querer. O mesmo sentir. Separados, emoções desorientadas. O mesmo querer. O mesmo sentir. Porém, mais intenso. Mais obsessivo. Mais urgente. Mais implorativo.
"I think the phrase "I crave you" is one of the deepest forms of love. To desire someone to the point where you want to devour them and make them a part of you. Almost like craving for food or water. It's your hunger, your thirst. You crave everything about them. Every part of them. Every little th…