Mensagens

Dores passadas

Imagem
Um pensamento. Uma perceção. Uma invenção. E voltas. Gritas e partes tudo ao teu redor. Fico a olhar para ti, perplexa e emocionada. Quero abraçar-te, dizer-te que amanhã vai estar tudo bem. Quero dar-te a mão e ajudar-te a seguir em frente. Quero olhar para o céu, contigo, e ver somente coisas bonitas.
 Não é justo fazeres isto a quem tanto te sustentou. Protegi-te quando a realidade te criticou. Levei-te ao colo quando a felicidade chamava por mim. Fiquei do teu lado quando mandaste a sanidade embora sem me avisares. Estive contigo tanto tempo e quando decido ignorar-te, porque é que voltas a relembrar-me de todas aquelas lágrimas? Não é justo fazeres isto a quem quer ver coisas bonitas.
 Grita pela tua solidão. Grita pela tua tristeza. Grita pela tua fraqueza. Mas sê rápida, por favor. Decidi ignorar-te e não volto com a palavra atrás. Grita e vai-te embora.


Tua S, ♥

Corre

Imagem
Ninguém sabe qual é o objetivo. Todos os dias erramos, todos os dias aprendemos. Sorrimos, choramos. Vamos para a direita, vamos para a esquerda. Escolhemos ser ignorantes ou vencedores. E no fim do dia pergunto-me "porquê?". Porquê tanta luta, tanta dedicação? Para quê tanta miséria se tudo tem um fim, se todos nós morremos? Será para distinguir os que vão para o Paraíso dos que vão para o Inferno? Será que as pessoas que vivem com tão pouco e sempre se esforçaram por mais não têm os mesmos direitos das outras que dão esmola? Não têm a mesma simpatia, a mesmo vontade de ter uma vida feliz?
 São tantas vidas, tantos empregos, tantos trabalhos... São tantas feridas, tantas alegrias... E só uma corrida. A meta é igual para todos, quer chegue em primeiro ou em último. A questão é: para quê tanta distinção?
 Corre, corre, corre. Ao teu ritmo. Inspira. Expira. Foste programado para correr, é só isso que consegues fazer. Não penses em mais nada. Segue o teu caminho. Finge que sab…

Fim de etapa. Começo de outra.

Imagem
Foram tantas as recaídas. Foram tantos devaneios, tantos sonhos, tantas lágrimas. Foram tantas vontades de desistir, esquecer e desaparecer. Não sei o que me manteve de pé. Não sei como consegui aguentar tanta mágoa e viver. Havia momentos bons e talvez foram eles que me ajudaram a chegar aqui.
 Hoje terminei uma etapa. Terminei o meu ano planeado. E aprendi tanto, mas tanto. Aprendi com todas as coisas boas e más que aconteceram. Fui adulta e criança. Levantei-me todos os dias a pensar na hora em que me iria deitar. Sorri quando quis chorar. Chorei quando quis gritar. Gritei quando quis fugir. Fiz este ano contra minha vontade, mas agora que chegou ao fim só tenho bem a dizer. Fez-me crescer enquanto pessoa e era isso que eu precisava. Precisava viver antes de me aventurar. E vivi bem. Tenho a agradecer sobretudo às pessoas que me acompanharam todos os dias. Irritantes ou não, foram elas que me ajudaram a definir aquilo que quero ser daqui em frente.
 Termina um ano e começa outro…

Não saber sentir

Imagem
Nada mudou. Ou melhor, tudo mudou. Desde aquele dia, tudo mudou. Aos poucos. Corroendo, devagar, devagar, devagar. Dizem que o mais difícil é admitir, e talvez até seja. Durante o dia, à vista da sociedade, está tudo bem. Quando estou comigo, volta a ficar tudo mal. Mas não sei se o pior é chegar à frente e dizer "eu preciso, não consigo mais", porque há tanta coisa difícil.
 Há a voz muda que grita sem parar, há a solidão que nunca está sozinha, há a desconfiança que insiste sem motivos. Há o não saber como nem o que sentir, e isso sem dúvida alguma é das coisas mais difíceis, porque não é algo a que eu possa fechar os olhos e seguir em frente. Sentir está presente em todos os minutos dos meus dias. Sentir define como reajo. É como se existissem dois caminhos: o certo e aquele em que estou. Olho para o que devia fazer mas faço o contrário. Olho para o certo e sinto o errado. Se devo pensar que existe o certo e o errado? Não sei. Se tenho o direito de me sentir assim? Sim, …

Só parece até ser

Imagem
A notícia chega e parece o fim do mundo. Achas que não vais ser capaz de continuar a viver, de tomar decisões, de partir em aventuras. Mas não é isso que acontece. A dor é insuportável e assombra-te nos momentos mais inoportunos, mas há esperança. Esperança de que tudo volte a ficar bem. Esperança de que um dia, depois de muita luta, os nossos sonhos se tornem realidade. É a essa esperança que nos agarramos.
 O grande problema disto tudo é quando percebemos que já não há esperança. Ela estava ali num dia e no dia seguinte não estava. Nós continuamos a viver como se ela continuasse connosco, mas é apenas imaginação. É esse clique que nos faz desmoronar, não a causa da situação.
 Não é a morte do meu pai que me destrói todos os dias. O que me destrói é estar no ano que planeei e odiar. O que me destrói é a vida que tenho. O que me destrói é querer mudar e não conseguir. O que me destrói é não conseguir pensar. Quero sair, mas sempre que penso numa maneira de pensar positivo, sou arras…

Dança comigo

Imagem
Chega um momento em que é preciso parar. Um segundo, dez minutos, duas horas, uma noite. É preciso avaliar, tomar decisões, definir metas. É necessário parar e perguntar "É isto que queres? Mesmo tendo os mínimos, é só isto que consegues fazer? É só isto que consegues ser?".
 Chega um momento em que é preciso pôr tudo para trás e seguir em frente. Há que fazer dos mínimos os máximos. Há que dar valor. Esquecer tudo e dar valor. Valorizar é a palavra chave.
 Chega um momento em que somos só nós. É esse momento que tem de permanecer. Tem de ser gravado, fotografado e transmitido na memória. É essa felicidade que tem de ser lembrada. Lembrar a felicidade ou lembrar-te, parece-me quase o mesmo.
 Chega um momento em que o raciocínio fugiu. E a minha luta é mantê-lo sempre presente. A minha luta é parar o tempo necessário, valorizar e lembrar-te. A minha luta é olhar para a memória e deliciar-me com a nossa dança.
 Dancemos. Façamos desta dança a nossa eterna felicidade. Dança co…

Sei lá

Imagem
Gosto de ter um plano. Uma meta. Um propósito para me levantar todos os dias. E tenho. A questão é: está a demorar tanto tempo. E estou farta de esperar. Estou a ficar cansada desta corrida. Eu disse que precisava de um ano, mas um ano é muito grande para uma rotina tão simples. É muito grande para ficar aqui à espera sem poder fazer nada. Muito grande para pensar e sentir.  Sei que consigo chegar ao fim desta meta. Mas e se, quando lá chegar, perceber que não valeu de nada? Perceber que afinal este ano não me preparou e estou igual ao que era um ano atrás? Perceber que não precisava de me preparar porque o meu objetivo requer muito mais do que um ano de preparação? Enfim, questões que não consigo responder agora. E é disso que tenho medo. Tenho medo do futuro. E não quero que ninguém me diga para não pensar nisso, que tudo se resolve, para viver um dia de cada vez. Porque o futuro que eu preparei não pode ser deixado à corrente da maré. Tem de ser pensado, planeado e prevenido, todo…